Trajes de Portugal Trajes de Portugal

"Qualquer povo defende sempre mais os costumes do que as leis."

(Barão de Montesquieu)

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Um pouco de história.

O trajo tradicional de um povo é simplesmente um entre os numerosos indicadores socio-culturais e históricos deste e reflectem os vários parâmetros que contribuem para a coesão de uma unidade social.

Qualquer região portuguesa conta com trajos de ordem cerimoniosa e uma variedade de uso quotidiano, indicando estes os valores culturais, religiosos, morais, de riqueza, as actividades económicas da zona, e a repartição de tarefas entre o homem e a mulher. No geral, as características dos trajos portugueses indiciam a lavoura e pesca como as principais actividades do território.

Vejamos. A actividade piscatória das regiões costeiras encontram eco no pé descalço dos seus trajos quotidianos. O contacto constante com as praias e a água do mar assim o exigia. As regiões do interior complementam os seus fatos regionais com a tamanca ou soco de madeira, duradoira solução para o relevo frequentemente acidentado e rochoso do interior. O amanho das terras nos sulcos de vales íngremes, as temperaturas extremas da invernia e época estival exigem uma boa e eficaz protecção física e térmica do pé.

As exigências das tarefas tradicionalmente atribuídas à mulher, quer nas praias quer no interior, tais como o transporte de víveres à cabeça, traduziu-se na inclusão em muita indumentária tradicional portuguesa do rodilho ou turbante como protecção das pesadas cargas a que as mulheres estavam sujeitas ao carregar os cestos, bilhas e cântaros que alimentavam os lares e a economia portuguesa.

Os coletes, camisa de estopa e linho e bragas tão frequentes no trajo quotidiano masculino, por sua vez, reflectem a praticabilidade exigida pelo árduo labor da agricultura e pesca.

As cores solenes como o preto e castanho escuro e as vivas como o vermelho, verde, azul, e tecidos como a estopa, linho e algodão ofereciam protecção térmica nos trabalhos efectuados sob um sol abrasador e o frio cutilante das geadas invernais.

Sendo a terra e o ouro a moeda corrente de riqueza, o povo investia nestes as suas economias. O estatuto social seria mais ou menos elevado conforme a quantidade de ouro que uma mulher ostentava. A joalharia tradicional portuguesa, adorno complementar aos seus trajos, incorpora as influências das civilizações romana, mourisca, celtibera que cimentaram ao longo dos tempos, as culturas das gentes desta região, tendo chegado ao seu apogeu nos trabalhos de filigrana portuguesa. Num mundo de constante fluctuações políticas e económicas, a posse do ouro era tida, a par com a terra, como o único investimento seguro passível de ser transmitido de geração em geração.

Os solenes fatos pretos domingueiros e de casamento, muitas vezes arcadados para servirem de mortalha na última grande viagem, fazem jus aos rígidos e sóbrios padrões religiosos e morais do catolicismo prevalecente por séculos no povo português. A igreja, o casamento, e a morte eram considerados os marcos mais relevantes da vida social colectiva e individual destas gentes.

Embora ostentando semelhanças de norte a sul, os trajos tradicionais portugueses oferecem uma signficativa diversidade, sendo possível identificar a unicidade de cada uma das regiões que compôem o território nacional.





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